O resultado das eleições municipais de 2024 em todo o país não foi o que a esquerda e o Partido dos Trabalhadores esperavam. O PT conseguiu eleger prefeito em apenas uma capital, em Fortaleza/CE.
No estado do Rio Grande do Norte essa realidade também se repetiu. O Partido não elegeu prefeito em nenhuma das principais cidades do estado, o que pode agravar a sustentação política do partido para uma nova eleição para o governo em 2026.
Detentor de um governo que possui uma das piores avaliações do estado, o PT se vê obrigado a refazer os seus planos e traçar um nova rota de alianças se desejar continuar a fazer parte do governo no estado. O Partido depositava toda a sua confiança na eleição da deputada federal Natália Bonavides para a prefeitura do Natal, fato não concretizado com a disputa do 2º turno na capital.
Sem a construção de nomes potenciais que possam substituir uma candidatura própria, ainda que com uma grande rejeição, todos o nomes do partido que detém mandatos no estado lutarão com todas as forças para renovar os seus mandatos na Assembléia legislativa e Câmara federal.
A governadora Fátima Bezerra está em seu segundo mandato e portanto não poderá disputar as eleições para o governo nas eleições de 2026.
O PT não havia pensado na possibilidade de insucessos nas eleições municipais, não construiu alternativas e até agora, não tem trabalhado alianças que possam garantir a sequência da sigla na governança estadual.
PSDB e MDB já sinalizaram que caminham juntos nas eleições de 2026. Os dois partido são aliados do governo do PT no estado e juntos apoiaram vários projetos eleitorais em vários municípios, no entanto, não se sabe de nenhuma discursão que envolva um projeto majoritários entre esses partidos para as próximas eleições.

A fragilidade do governo Fátima Bezerra tem aumentado as expectativas de que o principal nome do MDB, vice governador Walter Alves, já não tenha tanto interesse em ser candidato ao governo estadual, mesmo que receba o apoio do PT. Walter tende a buscar uma vaga a Câmara dos deputados, aumentando ainda mais a disputa entre os governistas que buscarão renovar seus mandatos, neste caso, os deputados Fernando Mineiro e Natália Bonavides.
Nessa discursão, não está descartada uma candidatura da governadora Fátima Bezerra à Câmara federal.
Inicialmente, Fátima seria candidata ao Senado. Porém, dado a sua fragilidade política no momento atual, essa candidatura representaria um risco.
Teoricamente, esse é o quadro que se mostra no momento atual no estado para o PT em relação as eleições de 2026.
Brasil
Não muito diferente das dificuldades do governo do RN, o governo federal também tem grande desafios para destravar pautas importantes no congresso nacional. O PT conta com o apoio de 15 governadores de um total de 27, enquanto na Câmara dos deputados o governo tem o apoio de cerca de 235 deputados entre as alas de esquerda e centro-esquerda de um total de 513 parlamentares.

Essa dificuldade tem levado o governo Lula a negociar incansavelmente, tendo que ceder em muitos projetos apresentados, mesmo a contragosto do governo e do partido.
Vale salientar que em muitos casos, alguns parlamentares que votam com o governo em Brasília, fazem oposição em seus estados quando governados pelo PT ou alguns aliados, dificultando muitos processos político-eleitoral de interesses do PT.
Associado a esse “drama” do governo com o congresso, o PT viu o grande crescimento da direita com eleição na maioria das capitais brasileiras.
Além de já governar o principal estado da federação, São Paulo, hoje a direita também governa a principal e maior cidade do Brasil, São Paulo, que apesar de governada por um nome do MDB, Ricardo Nunes, o enquanto partido aliado do governo Lula, o seu gestor tem fortes laços com a direita brasileira.
Os desafios não param apenas nesses dois casos. Outros grande e importantes estados da federação com grande potencial eleitoral e econômico, situados nas regiões centro oeste, sudeste e sul, são administrados por governadores de direita ou centro-direita, fato este que não se confirmou com um problema para o PT nas eleições gerais de 2022 e que terá que enfrentar no próximo pleito.
Influências externas
O crescimento da direita, conquistando governos importante em todo mundo, principalmente na Europa, na Argentina com Javier Milei e a iminente eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, afetam significativamente os interesses do PT para uma eleição que certamente terá o Partido como protagonista, seja com uma candidatura para um 4º mandato de Lula ou um outro nome que venha a sucedê-lo.
O cenário é de ligeira preocupação, no entanto, se espera que até o final do segundo semestre de 2025, algumas discussões internas sejam superadas no PT, promovendo um maior abertura com alguns partidos, repetindo o feito de 2014 quando aconteceu a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Naquela ocasião, vários nomes tidos como adversários ou opositores, estando em outros partidos, terminaram filiando-se ao PT e até integraram o governo naquele no mesmo período.
Por enquanto, o PT segue refazendo as contas e tentará reordenar o mapa político com perspectivas de um futuro mais tranquilo pois o momento, gera preocupações.